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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Tu me amas?


Em João 21, Jesus perguntou por três vezes a Pedro se ele amava-Lhe. Por três vezes, Pedro disse que amava-Lhe, mas muito se entristeceu à terceira vez que Jesus o perguntou.
Quando Jesus pergunta "tu me amas?", diz o Evangelho em seu original, "agapas me?", que, literalmente quer dizer, "você me ama?". João em nenhuma das vezes respondeu com o verbo "agape", que significa amor, mas respondeu nas três vezes com o verbo "filo", dizendo "filo se", que quer dizer, "te tenho por amigo".

Basicamente, Jesus perguntava uma coisa e Pedro respondia outra, como que fugindo de fininho à pergunta direta de Jesus: você me ama?
Não há maior amor que dar a vida por alguém. Jesus amava Pedro e estava pronto a dar a vida por ele. Mas, Pedro estava disposto a se sacrificar por Jesus? Com certeza não. Pedro não amava, não sentia ágape por Jesus. O Mestre era seu grande amigo, um grande companheiro, mas Pedro não o amava a ponto de tudo sofrer por Ele.
Por essa razão, Jesus disse, em seguida, que Pedro apascentaria as ovelhas de Jesus e que seria levado a onde não quisesse, indicando que no futuro Pedro seria preso e morreria por Jesus, ou seja, que embora naquela exato momento Pedro não amasse a Jesus, no futuro ele amaria e sofreria por isso.
Você ama a Jesus? Ou Ele é apenas um grande amigo, do qual você extrai boas e valiosas lições? A menos que você aprenda a amá-lo verdadeiramente, provavelmente você não aprenderá a amar seu próximo.
Descubra o grande e perfeito amor e ame. Ame tal como você foi e é amado.
Tão somente ame.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Quem é o ladrão que veio matar, roubar e destruir?


Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. João 10:1-15

Meditando dias atrás a respeito desse texto, notei algo tão claro que eu não percebi durante todas minhas outras leituras.
Tradicionalmente, diz-se que o ladrão desse texto é o diabo, que "veio para matar, roubar e destruir". Eu mesmo, por diversas vezes, disse isso, geralmente dizendo que essa é a função do demo, do mau.
Todavia, notemos o que Jesus quis dizer nesse texto. Em lugar algum há qualquer referência a Satanás nesse texto, seja antes ou seja depois. A referência clara é em relação aos líderes religiosos, que estavam confrontando Jesus.
Jesus coloca-se nesse texto como o pastor que dá a vida pelas ovelhas. Esse Bom Pastor não quer usar suas ovelhas, aproveitar-se delas; pelo contrário, ele está ali para servir, não para ser servido. Está alí para sacrificar-se pelo bem de suas ovelhas, não para devorar-lhes a carne. Todavia, aqueles líderes religiosos, seguidores da Lei, que haviam vindo antes de Jesus não eram verdadeiros pastores, mas sim mercenários, ou seja, pessoas que não estão interessados no bem das ovelhas, mas interessados é no lucro que as
ovelhas podem dar. Um mercenário é alguém que se vende por dinheiro, que faz o que for para obter lucro. Esses falsos pastores, que vieram antes de Jesus e que o desafiavam alí, naquela ocasião, vieram para matar, roubar e destruir.
Os líderes religiosos, que não são verdadeiros pastores matam a alma das pessoas. Ao invés de pregarem o Evangelho autêntico, que é do amor, do dar a outra face, de visitar o preso, acolher o estrangeiro, dar alimento ao que tem fome e roupa ao nu, eles estão interessados em serem vistos como "super-poderosos", como líderes intocáveis e inquestionáveis. Eles não dão a vida por suas ovelhas, mas exigem que as ovelhas deem a vida por eles, dizendo que isso é submissão e que a ovelha deve ser ao líder de todas as formas possíveis. Eles matam a alma das ovelhas tirando o Evangelho de seus corações e pondo o culto ao dinheiro, dos bens materiais e da cura do corpo como o grande tesouro que toda ovelha deve buscar. Matam a alma das ovelhas por não ensinar que é mais importante dar do que receber, ensinando que o objetivo é receber e que, para receber, é importante dar ao pastor ou à instituição. Matam as almas por ensinar a focar tesouros que a traça destrói, ao invés de ensiná-los a acumular tesouros no céu, que são tesouros acumulados com a prática de boas obras, feitas com discrição, sem que os outros saibam, visando apenas praticar o bem e não obter reconhecimento dos outros.
Eles não apenas matam a alma, mas também vieram roubar. Roubam não apenas o tempo, mas também o dinheiro das pessoas, ensinando que os recursos materiais devem ser investidos na instituição física chamada "igreja", ao invés de ensinar que os recursos materiais devem ser investidos na instituição espiritual chamada de "Igreja" e "Corpo de Cristo". Eles não pregam que Deus quer misericórdia e não sacrifícios. Querem tirar a lã das ovelhas, dizer-se prósperos, jamais pregando que o Filho do Homem não tinha nem onde dormir, que os apóstolos não tinham ouro nem prata, que o homem e mensageiro de Deus deve pregar o Evangelho sem receber nada, não levando dinheiro e nem bens, para que seja sustentado apenas por Deus por meio da Igreja. Não. Eles são ladrões, querem acumular mais e mais. Eles cobram para pregar em outros locais, alguns cobram facilmente 30 mil reais para pregar, sendo que nem ao menos pregam o Evangelho, mas sim o culto às riquezas. São ladrões que roubam o pobre, que devoram a casa dos humildes.
E, ainda, são destruidores. Arrasam tudo à sua volta. Fazem muito barulho, muito show, mas não alteram nada do mundo à sua volta. Não são conhecidos por seu zelo e amor incondicional, mas por seu fanatismo e ódio disfarçado de "pietismo". Não ajudam, só atrapalham. Não são sal, não dão um tempero especial ao mundo, não são conhecidos por boas obras, mas por seu cheiro de maldade inerente às suas palavras e ações.
A religião com seus líderes fundamentalistas e malvados vieram para matar, roubar e destruir. Não são o Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, mas são usurpadores que querem arrancar a lã e devorar a carne de cada ovelha. Enfim, são o diabo em forma de anjo de luz.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Cristianismo e a descriminalização do aborto


Ontem (21/02), para minha surpresa, ao acessar a Folha de São Paulo (link aqui) li destacada uma matéria sobre como o Conselho Federal de Medicina está defendendo o aborto até a 12ª semana de gestação. Fiquei surpreso porque esse assunto veio de sopetão. Já estou até acostumado a acessar o jornal e ler polêmicas sobre direitos dos homossexuais e sobre o Marcos Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos.
Mas enfim, qual é a opinião de um Cristão, seguidor do Evangelho, sobre esse tema?
De imediato, as igrejas e os contrários à religião dirão que qualquer Cristão é totalmente contra o aborto. Bem, eu não fujo à regra nesse ponto: sou contra o aborto. Não apenas isso, também questiono como um médico pode abortar, ferindo diretamente o juramento de Hipócrates, o qual impediria qualquer médico de realizar um aborto.
Todavia, em certo ponto eu difiro da maioria puritana e conservadora. Hoje, após muito pensar sobre o tema, eu sou favorável à descriminalização do aborto no Brasil. Sim, sou contra o aborto, mas a favor de sua descriminalização
A razão é que quer o aborto esteja proibido ou descriminalizado  ele é feito aos milhares. No Brasil, segundo a Folha, são feitos cerca de 1 milhão, leia bem, 1 MILHÃO de abortos por ano. São feitos por meio de cirurgias clandestinas, por meio de medicação abortiva (facilmente comprada no Paraguai e em camelôs) ou por outros meios. O que isso gera? Muitas mulheres acabam morrendo ou sofrendo sequelas graves advindas dessas tentativas clandestinas de aborto. Além disso, elas ficam desprovidas de acompanhamento médico e psicológico, de modo que os efeitos podem ser terríveis.
Nesse momento, algum leitor, talvez Cristão, deve estar pensando: "se ela quis abortar, problema dela que ela morra ou que se ferre". Ok, mas, não seria isso hipocrisia?
Com a descriminalização do aborto, quem não quer abortar, não abortará, continuará tudo igual. Agora, quem quer abortar, vai abortar de qualquer forma, seja com descriminalização ou não. A diferença é que se não for mais crime, tal aborto será feito com mais segurança, não causando maiores danos físicos e psicológicos à mulher e, às vezes, família ou cônjuge.
Manter o aborto como crime não impede ninguém de abortar, somente piora os problemas.
Muitas vezes, o Cristão, seja católico ou evangélico, busca aquilo que é justo com tanta vontade e força que acabe se tornando injusto. Inclusive há uma instrução de Salomão sobre isso: "não seja justo em excesso, por que você iria se destruir?" (Eclesiastes 7:16). Nesse desejo de fazer o que é certo, como no caso do aborto, o Cristão acaba sendo justo em acesso, defendendo incondicionalmente a vida do feto, mas ignorando que, fazendo isso, deixa de defender a segurança de outras pessoas. O raciocínio é: se um feto será abortado de qualquer forma, o que é melhor? Que seja abortado com segurança ou sem segurança?
É esse o caso.
O caso não é concordar com o aborto, é minimizar o dano.
Precisamos refletir mais sobre isso.