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sexta-feira, 22 de março de 2013

O Cristianismo e a descriminalização do aborto


Ontem (21/02), para minha surpresa, ao acessar a Folha de São Paulo (link aqui) li destacada uma matéria sobre como o Conselho Federal de Medicina está defendendo o aborto até a 12ª semana de gestação. Fiquei surpreso porque esse assunto veio de sopetão. Já estou até acostumado a acessar o jornal e ler polêmicas sobre direitos dos homossexuais e sobre o Marcos Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos.
Mas enfim, qual é a opinião de um Cristão, seguidor do Evangelho, sobre esse tema?
De imediato, as igrejas e os contrários à religião dirão que qualquer Cristão é totalmente contra o aborto. Bem, eu não fujo à regra nesse ponto: sou contra o aborto. Não apenas isso, também questiono como um médico pode abortar, ferindo diretamente o juramento de Hipócrates, o qual impediria qualquer médico de realizar um aborto.
Todavia, em certo ponto eu difiro da maioria puritana e conservadora. Hoje, após muito pensar sobre o tema, eu sou favorável à descriminalização do aborto no Brasil. Sim, sou contra o aborto, mas a favor de sua descriminalização
A razão é que quer o aborto esteja proibido ou descriminalizado  ele é feito aos milhares. No Brasil, segundo a Folha, são feitos cerca de 1 milhão, leia bem, 1 MILHÃO de abortos por ano. São feitos por meio de cirurgias clandestinas, por meio de medicação abortiva (facilmente comprada no Paraguai e em camelôs) ou por outros meios. O que isso gera? Muitas mulheres acabam morrendo ou sofrendo sequelas graves advindas dessas tentativas clandestinas de aborto. Além disso, elas ficam desprovidas de acompanhamento médico e psicológico, de modo que os efeitos podem ser terríveis.
Nesse momento, algum leitor, talvez Cristão, deve estar pensando: "se ela quis abortar, problema dela que ela morra ou que se ferre". Ok, mas, não seria isso hipocrisia?
Com a descriminalização do aborto, quem não quer abortar, não abortará, continuará tudo igual. Agora, quem quer abortar, vai abortar de qualquer forma, seja com descriminalização ou não. A diferença é que se não for mais crime, tal aborto será feito com mais segurança, não causando maiores danos físicos e psicológicos à mulher e, às vezes, família ou cônjuge.
Manter o aborto como crime não impede ninguém de abortar, somente piora os problemas.
Muitas vezes, o Cristão, seja católico ou evangélico, busca aquilo que é justo com tanta vontade e força que acabe se tornando injusto. Inclusive há uma instrução de Salomão sobre isso: "não seja justo em excesso, por que você iria se destruir?" (Eclesiastes 7:16). Nesse desejo de fazer o que é certo, como no caso do aborto, o Cristão acaba sendo justo em acesso, defendendo incondicionalmente a vida do feto, mas ignorando que, fazendo isso, deixa de defender a segurança de outras pessoas. O raciocínio é: se um feto será abortado de qualquer forma, o que é melhor? Que seja abortado com segurança ou sem segurança?
É esse o caso.
O caso não é concordar com o aborto, é minimizar o dano.
Precisamos refletir mais sobre isso.