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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Fim

Este blog foi escrito durante meus tempos de luta, então, ignore-o. Acesse meu blog atual:
www.diariohumanista.com

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Tu me amas?


Em João 21, Jesus perguntou por três vezes a Pedro se ele amava-Lhe. Por três vezes, Pedro disse que amava-Lhe, mas muito se entristeceu à terceira vez que Jesus o perguntou.
Quando Jesus pergunta "tu me amas?", diz o Evangelho em seu original, "agapas me?", que, literalmente quer dizer, "você me ama?". João em nenhuma das vezes respondeu com o verbo "agape", que significa amor, mas respondeu nas três vezes com o verbo "filo", dizendo "filo se", que quer dizer, "te tenho por amigo".

Basicamente, Jesus perguntava uma coisa e Pedro respondia outra, como que fugindo de fininho à pergunta direta de Jesus: você me ama?
Não há maior amor que dar a vida por alguém. Jesus amava Pedro e estava pronto a dar a vida por ele. Mas, Pedro estava disposto a se sacrificar por Jesus? Com certeza não. Pedro não amava, não sentia ágape por Jesus. O Mestre era seu grande amigo, um grande companheiro, mas Pedro não o amava a ponto de tudo sofrer por Ele.
Por essa razão, Jesus disse, em seguida, que Pedro apascentaria as ovelhas de Jesus e que seria levado a onde não quisesse, indicando que no futuro Pedro seria preso e morreria por Jesus, ou seja, que embora naquela exato momento Pedro não amasse a Jesus, no futuro ele amaria e sofreria por isso.
Você ama a Jesus? Ou Ele é apenas um grande amigo, do qual você extrai boas e valiosas lições? A menos que você aprenda a amá-lo verdadeiramente, provavelmente você não aprenderá a amar seu próximo.
Descubra o grande e perfeito amor e ame. Ame tal como você foi e é amado.
Tão somente ame.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Quem é o ladrão que veio matar, roubar e destruir?


Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. João 10:1-15

Meditando dias atrás a respeito desse texto, notei algo tão claro que eu não percebi durante todas minhas outras leituras.
Tradicionalmente, diz-se que o ladrão desse texto é o diabo, que "veio para matar, roubar e destruir". Eu mesmo, por diversas vezes, disse isso, geralmente dizendo que essa é a função do demo, do mau.
Todavia, notemos o que Jesus quis dizer nesse texto. Em lugar algum há qualquer referência a Satanás nesse texto, seja antes ou seja depois. A referência clara é em relação aos líderes religiosos, que estavam confrontando Jesus.
Jesus coloca-se nesse texto como o pastor que dá a vida pelas ovelhas. Esse Bom Pastor não quer usar suas ovelhas, aproveitar-se delas; pelo contrário, ele está ali para servir, não para ser servido. Está alí para sacrificar-se pelo bem de suas ovelhas, não para devorar-lhes a carne. Todavia, aqueles líderes religiosos, seguidores da Lei, que haviam vindo antes de Jesus não eram verdadeiros pastores, mas sim mercenários, ou seja, pessoas que não estão interessados no bem das ovelhas, mas interessados é no lucro que as
ovelhas podem dar. Um mercenário é alguém que se vende por dinheiro, que faz o que for para obter lucro. Esses falsos pastores, que vieram antes de Jesus e que o desafiavam alí, naquela ocasião, vieram para matar, roubar e destruir.
Os líderes religiosos, que não são verdadeiros pastores matam a alma das pessoas. Ao invés de pregarem o Evangelho autêntico, que é do amor, do dar a outra face, de visitar o preso, acolher o estrangeiro, dar alimento ao que tem fome e roupa ao nu, eles estão interessados em serem vistos como "super-poderosos", como líderes intocáveis e inquestionáveis. Eles não dão a vida por suas ovelhas, mas exigem que as ovelhas deem a vida por eles, dizendo que isso é submissão e que a ovelha deve ser ao líder de todas as formas possíveis. Eles matam a alma das ovelhas tirando o Evangelho de seus corações e pondo o culto ao dinheiro, dos bens materiais e da cura do corpo como o grande tesouro que toda ovelha deve buscar. Matam a alma das ovelhas por não ensinar que é mais importante dar do que receber, ensinando que o objetivo é receber e que, para receber, é importante dar ao pastor ou à instituição. Matam as almas por ensinar a focar tesouros que a traça destrói, ao invés de ensiná-los a acumular tesouros no céu, que são tesouros acumulados com a prática de boas obras, feitas com discrição, sem que os outros saibam, visando apenas praticar o bem e não obter reconhecimento dos outros.
Eles não apenas matam a alma, mas também vieram roubar. Roubam não apenas o tempo, mas também o dinheiro das pessoas, ensinando que os recursos materiais devem ser investidos na instituição física chamada "igreja", ao invés de ensinar que os recursos materiais devem ser investidos na instituição espiritual chamada de "Igreja" e "Corpo de Cristo". Eles não pregam que Deus quer misericórdia e não sacrifícios. Querem tirar a lã das ovelhas, dizer-se prósperos, jamais pregando que o Filho do Homem não tinha nem onde dormir, que os apóstolos não tinham ouro nem prata, que o homem e mensageiro de Deus deve pregar o Evangelho sem receber nada, não levando dinheiro e nem bens, para que seja sustentado apenas por Deus por meio da Igreja. Não. Eles são ladrões, querem acumular mais e mais. Eles cobram para pregar em outros locais, alguns cobram facilmente 30 mil reais para pregar, sendo que nem ao menos pregam o Evangelho, mas sim o culto às riquezas. São ladrões que roubam o pobre, que devoram a casa dos humildes.
E, ainda, são destruidores. Arrasam tudo à sua volta. Fazem muito barulho, muito show, mas não alteram nada do mundo à sua volta. Não são conhecidos por seu zelo e amor incondicional, mas por seu fanatismo e ódio disfarçado de "pietismo". Não ajudam, só atrapalham. Não são sal, não dão um tempero especial ao mundo, não são conhecidos por boas obras, mas por seu cheiro de maldade inerente às suas palavras e ações.
A religião com seus líderes fundamentalistas e malvados vieram para matar, roubar e destruir. Não são o Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas, mas são usurpadores que querem arrancar a lã e devorar a carne de cada ovelha. Enfim, são o diabo em forma de anjo de luz.

sexta-feira, 22 de março de 2013

O Cristianismo e a descriminalização do aborto


Ontem (21/02), para minha surpresa, ao acessar a Folha de São Paulo (link aqui) li destacada uma matéria sobre como o Conselho Federal de Medicina está defendendo o aborto até a 12ª semana de gestação. Fiquei surpreso porque esse assunto veio de sopetão. Já estou até acostumado a acessar o jornal e ler polêmicas sobre direitos dos homossexuais e sobre o Marcos Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos.
Mas enfim, qual é a opinião de um Cristão, seguidor do Evangelho, sobre esse tema?
De imediato, as igrejas e os contrários à religião dirão que qualquer Cristão é totalmente contra o aborto. Bem, eu não fujo à regra nesse ponto: sou contra o aborto. Não apenas isso, também questiono como um médico pode abortar, ferindo diretamente o juramento de Hipócrates, o qual impediria qualquer médico de realizar um aborto.
Todavia, em certo ponto eu difiro da maioria puritana e conservadora. Hoje, após muito pensar sobre o tema, eu sou favorável à descriminalização do aborto no Brasil. Sim, sou contra o aborto, mas a favor de sua descriminalização
A razão é que quer o aborto esteja proibido ou descriminalizado  ele é feito aos milhares. No Brasil, segundo a Folha, são feitos cerca de 1 milhão, leia bem, 1 MILHÃO de abortos por ano. São feitos por meio de cirurgias clandestinas, por meio de medicação abortiva (facilmente comprada no Paraguai e em camelôs) ou por outros meios. O que isso gera? Muitas mulheres acabam morrendo ou sofrendo sequelas graves advindas dessas tentativas clandestinas de aborto. Além disso, elas ficam desprovidas de acompanhamento médico e psicológico, de modo que os efeitos podem ser terríveis.
Nesse momento, algum leitor, talvez Cristão, deve estar pensando: "se ela quis abortar, problema dela que ela morra ou que se ferre". Ok, mas, não seria isso hipocrisia?
Com a descriminalização do aborto, quem não quer abortar, não abortará, continuará tudo igual. Agora, quem quer abortar, vai abortar de qualquer forma, seja com descriminalização ou não. A diferença é que se não for mais crime, tal aborto será feito com mais segurança, não causando maiores danos físicos e psicológicos à mulher e, às vezes, família ou cônjuge.
Manter o aborto como crime não impede ninguém de abortar, somente piora os problemas.
Muitas vezes, o Cristão, seja católico ou evangélico, busca aquilo que é justo com tanta vontade e força que acabe se tornando injusto. Inclusive há uma instrução de Salomão sobre isso: "não seja justo em excesso, por que você iria se destruir?" (Eclesiastes 7:16). Nesse desejo de fazer o que é certo, como no caso do aborto, o Cristão acaba sendo justo em acesso, defendendo incondicionalmente a vida do feto, mas ignorando que, fazendo isso, deixa de defender a segurança de outras pessoas. O raciocínio é: se um feto será abortado de qualquer forma, o que é melhor? Que seja abortado com segurança ou sem segurança?
É esse o caso.
O caso não é concordar com o aborto, é minimizar o dano.
Precisamos refletir mais sobre isso.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Templo x templos


Jesus em certa ocasião se encontrou com uma mulher da Samaria. Essa mulher era uma boa religiosa, tal como boa parte dos Judeus. Ao saber que Jesus era Judeu, a mulher parece ter sentindo certo desânimo com aquela conversa que estavam tendo, isso porque os Samaritanos e os Judeus não se entendiam bem. Por isso, a mulher deixou clara a divergência entre eles dizendo que os Judeus dizem que se adora a Deus no monte onde estava o templo de Salomão e os Samaritanos dizem que se adora a Deus no monte deles próprios.
A resposta de Jesus, como sempre, muito boa, foi de que era chegado o momento em que os verdadeiros adoradores adorarão em espírito e em verdade.
Mas, que isso tem a ver com a localização do templo a que à Samaritana se referia?
Tem tudo a ver. Jesus ensinou que essa conversa de que um templo é a casa de Deus é conversa mal conversada. Ensinou-nos que com Ele, cada corpo é um templo. Cada fiel é um sacerdote. Ou seja, era chegado o momento em que tanto importa se você vai ao templo do monte da Presbiteriana do Brasil, da Luterana, da Batista ou da Metodista, isso não interessa a Deus. O que interessa é o verdadeiro local de adoração, que é seu próprio corpo, seu próprio ser.
Ir a um templo sem ser você próprio um templo em si é perda de tempo. Ser o templo em si e não ir a um templo, por outro lado, é grande coisa. Claro que por razões de companheirismo, todo aquele que é em si um templo sente prazer em congregar com outros irmãos, formando um ‘templão’ abençoado. Mas, desvirtuar o sentido de templo é um mal.
Infelizmente as igrejas, e não a Igreja, ensinam que não há fé Cristã fora das igrejas. Infelizmente não ensinam que as igrejas são somente instituições que aglomeram pessoas que são a Igreja. Não ensinam que Deus não habita lá, mas sim que lá é um ponto de cultura de uma fé comum. Se esquecem de ensinar que o verdadeiro adorador não adora nos templos, mas sim em seu dia a dia, crescendo, mudando, se transformando, vivendo sob a Graça, testificando o Evangelho.
São esses que Jesus quer que Lhe interessam.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Clube 1 milhão de almas


Silas Malafaia é, segundo meu senso teológico, um autêntico e bom exemplo de simonia. Para quem não sabe, o termo ‘simonia’ é dado àqueles que agem tal como o mágico Simão, história narrada em Atos 8:0-24.
Não tenho paciência para ouvir o Malafaia falando. Não tenho. Muitos o ouvem para rir, mas eu tenho é vontade de chorar. Se for para rir eu prefiro ouvir outros artistas de stand up. Porém, hoje, por um instante quis dar uma olhada para ver o que ele anda aprontando por aí. Acessei o site ‘Vitória ($$$) em Cristo’ e encontrei algo interessante: “Clube 1 milhão de almas”. Segue a descrição abaixo.

Faça parte desse clube, dando uma oferta voluntária no valor de R$ 1.000 (hum mil reais), para nos ajudar a alcançar esse alvo. Cada vez que, por meio de nossos programas e eventos, conquistarmos uma vida para Cristo, contabilizaremos o número em nosso site. E, cada vez que você conquistar uma alma para Jesus, também poderá registrá-lo, clicando no link Clube de 1 milhão de almas, em nossa página na internet: www.vitoriaemcristo.org.

Então esse é o clube. Você dá uma oferta, claro que voluntária, afinal, ninguém é obrigado a nada, de mil reais, milãozinho, para que Malafaia e sua tropa tenham condições de alcançar 1 milhão de almas.
Segundo as contas malafaianas, cada alma custa, em média, mil reais para ser salva. É um bom preço, não está tão caro se pensarmos. Mas, talvez esse valor fique um pouco mais caro porque o site pede que o crente que ganhar alguma alma informe o clube para que tal alma seja contabilizada. Que maravilha! Um contador de almas muito eficiente. Mas bem, se você (coitado) contribuiu com milão e por fora ganhou uma alma, ficam faltando 999.999 almas a serem ganhas, mas o dinheiro continuará com o clube para ganhar outras almas. Não há devolução em caso de tal alma não aceitar o Evangelho.
Basicamente, são R$ 1.000.000.000,00! Quer que eu interprete? São 1 bilhão de reais para se ganhar 1 milhão de almas!
Minha pergunta é: quanto que os Apóstolos e Jesus precisaram para ‘ganhar’ almas? Quanto?
Esses servos de Mamon — a riqueza — são pessoas más que usam da religiosidade e da própria ganância do povo para adquirirem proveito próprio. Servos de Cristo? Certamente que não. São uns servos de seu próprio estômago, estupradores do Evangelho sim. Aqueles que amam o Evangelho não o forçam a nada, já esses estupradores arregalam as pernas das Boas Novas e fazem o que bem quiserem. Sim, estão distantes, milênios distantes do Evangelho.
Tenho uma sugestão para os que fazem barganha com Cristo: que tal se vocês pegarem esses mil reais e, ao invés de darem para o Malafaia, dêem diretamente para Cristo. Sabem como fazer isso? Sigam a parábola do rei em Mateus 25. Quer servir ao Rei? Ajude aos necessitados. Quando você der pão a um faminto, você alimentou ao próprio Cristo. Quando você der roupa ao nu, você vestiu ao próprio Cristo. Isso sim é ser luz, isso sim é fazer diferença, isso sim é ter acesso a alguém para testemunhar sobre o Evangelho. Dar mil reais para outro supostamente desempenhar a obra que é OBRIGAÇÃO SUA é jogar dinheiro fora.
O Cristianismo não é isso que se vê saindo dos lábios do Malafaia.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Evangélicos, é?


Ser evangélico já significou muita coisa. Paralelamente, ser Cristão já foi sinônimo de ser canibal, visitante assíduo de catacumbas e, também, membro de sociedade secreta.
Basicamente, tal como o nome explicitamente diz, o evangélico é aquele que deve professar uma conduta de vida baseada no Evangelho. Embora linguisticamente seja isso que o termo queira dizer, certamente não é isso o que se vê na prática.
Hoje a legião pseudo-evangélica já soma 30 milhões de pessoas no Brasil. Até o dia do evangélico está sendo comemorado! Mas não por mim. Eu que cresci em contexto evangélico, nascido em 1985, só tenho visto deterioração atrás de deterioração. E vejam que são apenas 26 anos! Em tão pouco tempo, essa multidão foi a 30 milhões de pessoas, sendo que uns 25 milhões são pessoas toscas, usurpadores do Evangelho, ladrões travestidos de ‘ungido intocável’.
Ah sim, sei que escrevo para ouvir o ‘amém’ de uma minoria. Uma minoria que realmente é evangélica, que realmente segue e vive o evangelho. Já a maioria não conhece nada sobre Jesus.
Para essa maioria, Jesus é alguém que cura, que faz os pobres se tornarem ricos se eles forem ‘fiéis’ com substantivas quantidades financeiras, é um cara que não permite que você seja humilhado, ele o homem que vai te ‘honrar’ diante do inimigo. Para eles, Jesus é isso. É uma extensão física, uma projeção dos pecados e vontades humanas e pecadoras do homem.
O Jesus do Evangelho é outro. É o que diz que ao você ser humilhado, você deve dar o outro lado para ser um pouco mais humilhado. É o que diz que mesmo que você esteja doente, podre, caindo aos pedaços, você não deixa de servir ao seu Deus, afinal, você o adora por quem Ele é e não pelo que Ele faz por você. O Jesus que eu conheço é o que come com pecadores, que conversava na rua com prostitutas, que bebia, que quando acabava a bebida numa festa, tratava de fazer mais vinho para seus amigos se divertirem. Meu Jesus não era membro de denominação nenhuma, afinal, Igreja são todos aqueles que estão sob a Graça de Deus. Ele não pediu arrecadação para erguer templos, porque ensinou que não é num monte de pedra e cimento empilhados que Deus habita, mas sim nos corações dos homens, de modo que não é em templo nenhum que quem adora a Deus vai adorar, mas sim em seus corações porque os verdadeiros adoradores o adoram em espírito.
Esse jesus da maioria dos 30 milhões é um fraco, um coitado. É alguém que tem medo de sofrer, que foge das tribulações. Fé? Fé para os seguidores desse Jesus não é a crença no que você não vê, mas sim no que você vê, pega, guarda no bolso. Sim, a fé para eles é totalmente material, nada de fé.
O meu Jesus disse que sou bem-aventurado quando for perseguido. O deles diz que o capeta está se levantando contra você porque, provavelmente, você pecou. E imediatamente você precisa de uma campanha para não ser mais perseguido. O meu Jesus não diz isso. Diz que eu preciso aprender com essas adversidades, que preciso melhorar. Que preciso me auto-analisar e perceber se, também, por acaso, eu não tenho culpa por estar sendo perseguido. Ele me diz que sou bem-aventurado porque tal perseguição me faz crescer. O Jesus dos outros não. É um Jesus mimado que torna seus seguidores ainda mais mimados.
Resumindo: ser evangélico não é ser parte dessa massa podre que aí está, corrompendo mentes já corrompidas e dando veneno a mentes já envenenadas. Ser Evangélico é ser tal como Cristo era: simples, não ansioso e amoroso.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O Cristão e o ET


Eu sempre gostei de assistir a programas de TV, documentários, qualquer coisa sobre ÓVNIS e ETs. Para encurtar o assunto, eu não acredito nesses supostos avistamentos relatados às centenas na TV, internet e em periódicos. Não digo que certas pessoas não tenham visto algo ou algum fenômeno (exceto pelos mentirosos de plantão que querem aparecer), mas, o que não creio é que sejam homenzinhos verdes ou cinzentos vindos do espaço remoto.
Creio sim que seja possível — e altamente provável — que haja vida fora desse cubículo minúsculo que chamamos de Terra. É importante ter em mente que uma bactéria, uma célula, um vírus, tudo isso são seres vivos. Tenho grandes dúvidas sobre a existência ou não se vida inteligente. Particularmente creio que não haja, mas creio que haja outras formas menos inteligentes por aí.
Mas, agora pode vir a pergunta? E o que o Cristão tem a ver com o ET? Tecnicamente, nada. Em que a fé Cristã seria alterada com a existência de vida fora da Terra? Em absolutamente nada. O fato de as Escrituras não comentarem se há ou não vida fora daqui não significa nada. As Escrituras foram redigidas por homens que falavam do que viam e sabiam, e não por revelações psicográficas sobre coisas que não viram e nem ouviram.
De fato, é uma grande estupidez e arrogância que os Cristãos, em geral, pensem que o universo com tudo o que há foi feito para eles. Alguém disse, certa vez, que se os pássaros, por exemplo, pensassem, jurariam que o mundo e tudo o que há foi feito para eles. O ser humano é assim, gosta de ser antropocêntrico, de ter Deus e o universo inteiro conspirando em seu favor. Mas isso é uma infantilidade ridícula. Deus não criou o universo para o homem, Deus nem precisava criar homem algum. Criou porque quis. E, se tudo fosse mesmo pelo homem, que necessidade haveria de um universo tão amplo, tai imenso no qual acontecem fenômenos dos mais variados sem que qualquer humano tenha a mínima noção de que algo ocorre?
A insistência em querer dizer, sem dar margem à possibilidade de que outras criaturas ou seres unicelulares estão pelo espaço, revela a arrogância que rege certas teologias. São teologias que não levam o homem a considerar que eles são apenas uma coisa: nada. São teologias que levam as pessoas a buscar a Deus pelo que Ele pode fazer, tal como dar dinheiro, curar doenças e te livrar do inferno que te dá tanto medo; mas que não levam a pessoa a adorar a Deus simplesmente porque Ele é digno de tal louvor, mesmo que você seja lançado no inferno, morra podre e seja um dos mais pobres de sua cidade.
A teologia antropocêntrica faz com que ocorra o que se vê por aí. As pessoas não mais vão prestar culto a Deus, mas vão PARTICIPAR do culto. Elas se tornam espectadores que assistem a outras pessoas em performances da cultura religiosa.
Se há ou não ETs, eu não sei. Acho totalmente possível e provável. O que sei é que o ser humano não é a razão desse universo. Para Deus, nada é necessário. Somos seres totalmente descartáveis, poeira num universo infinito. Infinito, mas poeira perto de um Deus tão grande.

sábado, 23 de julho de 2011

A Bíblia é a Palavra de Deus?

Para você, a Bíblia é a Palavra de Deus? Quantas vezes você já parou para refletir sobre este tema? Eu, como bom Reformado, bom Presbiteriano que sou, cresci lendo relendo por diversas vezes os Catecismos e a Confissão de Fé de Westminster. Estes estabelecem cuidadosamente como a Bíblia é a Palavra infalível de Deus.
De fato, creio que a Palavra de Deus tem de ser infalível, afinal, como a humanidade pode ser ensinada através de algo errôneo? Seria irracional deixar os errantes serem guiados por algo assim.
A fé Protestante (ou Reformada) realmente foi uma grande benção para o mundo. Hoje em dia, em meio a uma nuvem densa em que o Pentecostalismo se tornou sinônimo de fé Evangélica (eu mesmo não misturo isso. Se me perguntam se sou evangélico, digo que sou Reformado, que os Reformados seguem a fé do Evangelho de Jesus, mas muito diferente do popular evangélico Pentecostal que é conhecido por todos os lados). Mas como eu relatava, a fé Reformada trouxe respostas e liberdade a um mundo dominado pela cegueira política, social, tecnológica e científica. Após as Reformas é que o mundo Europeu começou a girar. Em 500 anos foi feito muito mais que nos outros 1500 anos. Mas, embora nossa fé Reformada tenha trazido imensos benefícios, o fundamentalismo ou conservadorismo tem trazido alguns problemas atualmente. Acredito que uma medida razoável de conservadorismo é essencial, mas não dou meu voto a favor de um conservadorismo infantil que faz birra diante da surra intelectual que recebe.
Neste ponto um erro sério tem sido mantido pelos mais conservadores: dizer que a Bíblia é em si a Palavra de Deus.
De fato, não creio que ela o seja.
Ah sim, neste momento muitos começam a fechar este texto e não querem mais lê-lo. Ou talvez neste momento o autor se torna uma espécie de anjo do inferno vindo diretamente para tentar corromper sua pobre alma para tragá-lo para o inferno. Mas, a verdade está longe disso.
Creio que a Bíblia É ESSENCIAL PARA A VIDA CRISTÃ. Que ela deve ser uma regra de fé e prática. Que precisamos, todos nós, lê e meditar nas Escrituras. Sim, que precisamos pregá-la. Que ela diz sim a verdade.
Aí você se pergunta: mas se ela não é a Palavra e Deus, não estou entendendo o que o autor quer dizer com isso!
O que quero dizer, para ser bem raso, superficial e tosco (porque detesto a frase que vou usar), a Bíblia não é, ela contém o relato da Palavra de Deus.
Primeiramente, dando leite para quem ainda não se fartou com este banquete, a Bíblia jamais se posiciona como a Palavra de Deus. Você já observou isso? Ela chama outros trechos de ‘Escrituras’, de ‘Livro da Lei’ ou de outras coisas, mas jamais de Palavra de Deus. Agora, faça uma pausa. Pegue uma concordância bíblica e faça uma pesquisa pelo título ‘Palavra de Deus’ em sua Bíblia. Veja o que você encontrará. Encontrou? A única referência que temos neste sentido é o próprio Senhor Jesus sendo chamado de Palavra. O Logos, o Verbo, a Palavra, a Ação, o Poder, a Autoridade de Deus. Compreendeu?
Pois bem, as Escrituras são um testemunho fidedigno dAquele que é a Palavra. Cristo é a Palavra de Deus. Estabelecer a Bíblia como a Palavra é pô-la em igualdade a Cristo, o que é um erro grave.
A Bíblia também não pode ser a Palavra de Deus porque Deus teria de tê-la ditado. Ok, aqui alguém pensará: mas e a inspiração? A Bíblia não foi inspirada?
Respondo. A ‘inspiração’ se dá diretamente por Deus através daquilo que Ele queira utilizar como Mensagem para revelar algo sobre Aquele que é a Palavra, sobre Cristo. Se Deus quiser, através de uma canção secular, como por exemplo, através da música ‘Pride’ do U2 que fala como Jesus veio pregar o amor ao mundo, Deus pode levar alguém ao conhecimento da Verdade, que é Jesus.
As Escrituras não são obra diretamente psicografada por Deus. É obra de diversos homens que testificavam sobre a Verdade. Ela é testemunho da Verdade e não a Verdade. A Bíblia fala dAquele que é a Palavra, ela não fala de si própria, não se auto-testifica. Mas, vejamos mais, se a Bíblia é a Palavra de Deus por conter palavras pronunciadas diretamente por Deus e Jesus, então devemos dizer que a Bíblia é a palavra do homem porque também contém palavras da sabedoria dos homens (leia Jô e verá muita palavra dos homens). Também deve ser chamada de a palavra do jumento, pois até o jumento tem seus minutos de fama com Balaão. Até mesmo teria de ser chamada de palavra de Satanás, afinal de contas, não lemos Satanás na Bíblia falando com Deus e Jesus? Se a Bíblia é como que uma obra redigida pela mente de Deus letra por letra, infalível e a própria Palavra de Deus, então teremos de admitir que Satanás falava inspirado pelo Espírito Santo ao ter suas palavras gravadas nas Escrituras.
Prezados, não é assim que as coisas funcionam. Cada personagem citado aqui falou de si próprio. O próprio Paulo em determinado momento disse que estava dando uma instrução de si próprio e não inspirado por Deus, por exemplo em I Coríntios 7:12. No verso 10, quando Paulo cita algo que Jesus ensinou, ele diz que foi mandamento do Senhor, mas no verso 12, onde ele dá uma instrução com base em sua opinião, Paulo diz que não é mandamento, mas é a opinião dele procurando o que for mais adequado.
O que mais? A Bíblia inteira está escrita com pontos de vista particulares, com opiniões, com idéias. Isso é ser humano. Os autores testemunhavam FATOS e os testificavam conforme podiam. Amigo leitor, a Bíblia possui até mesmo livros que são históricos, atas reais, documentos de um governo! É como se alguém pegasse as atas de decisões da presidente da República e as inserisse em outro livro dizendo que são a Palavra de Deus! E foi isso mesmo que aconteceu.
De forma alguma o verdadeiro Cristão deixará as Escrituras de lado, de forma alguma. Mas, o bom Cristão, aquele que arrazoa, que pensa, que reflete, tem prontidão para dar a razão de sua fé. Ele possui uma fé lógica e não cega. Deus é o Deus que cura cegos. No entanto, temos de compreender que quem é infalível é Cristo, e não os testemunhos que diversos homens fizeram a seu respeito. Quem é perfeito é Cristo, e não o que nós homens falhos dizemos sobre Ele. Que é a Palavra, que é o Verbo, quem é Aquele que diz e as coisas são, que determina e as coisas acontecem é Cristo e não o testemunho sobre Ele.
As Escrituras são, de fato, um milagre. Não um milagre em suas letras em si, mas o milagre está em Deus utilizar um testemunho feito por homens para conduzir outros homens à verdade. É o milagre de transformar o testemunho de homens falhos na Palavra de Deus, que é Cristo.
Sem quere me estender muito, já ocupei duas folhas do Word neste pequeno artigo. Certamente que ele atrairá muitos comentários, sendo boa parte raivosa como sempre recebo. No entanto, peço que dêem suas opiniões e visões para que possamos ampliar nosso diálogo.
nEle, que é a Palavra, o Verbo Eterno de Deus.

terça-feira, 19 de julho de 2011

'Dízimo' é mandamento para o Cristão?

Ser Hoje em dia ser dizimista (e fiel) é uma obrigação irrevogável na vida dos Cristãos de quase todo o mundo. Infelizmente, até mesmo boa parte das igrejas Reformadas e Protestantes tem agido erroneamente contra aqueles que se levantam contra a lei do dízimo. Embora não seja tão comum, pode-se encontrar em igrejas presbiteriana pastores que excluem do trabalho eclesiástico algum irmão que não dizima mensalmente.
Este breve artigo pretende demonstrar de modo introdutório, mas deixando espaço para uma ampliação do debate, como o dízimo NÃO é uma ordenação Bíblica para o povo do Novo Testamento e como a Igreja Primitiva NÃO era dizimista. Veremos qual é a posição Cristã para a contribuição.
Malaquias 3:10
Este texto é o texto preferido, principalmente nas igrejas pentecostais, para se ensinar o dízimo. Mas, será que este texto está mesmo se referindo a uma contribuição mensal de 10% de sua renda? Será que este texto é válido para o Cristão? Certamente que não. Vejamos em partes.
1 – Malaquias jamais é citado no NT como referência para se dizimar.
2 – Malaquias 3:10-11 se refere ao dízimo de alimentos, uma lei que naquele momento já tinha mil anos de existência apresentada em Levítico 27.
3 – As bênçãos e maldições no texto são idênticas e inseparáveis às da Lei Mosaica como um todo, isto é, à Lei inteira. A chuva que viria como benção em Deuteronômio 28 e Levítico 26 estaria condicionada à obediência de todas as mais de 600 leis. Compare a ligação de Malaquias 3:10 com a Lei em Levítico e com Gálatas 3:10: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”. Sendo assim, as bênçãos e maldições em Malaquias são TOTALMENTE dependentes do cumprimento INTEGRAL de todos os preceitos da Lei. No entanto, Paulo ensinou que se você cumpre um artigo da Lei (tomemos o dízimo como exemplo) e não cumpre o restante, é MALDITO.
4 – O texto está falando com os sacerdotes e não com o povo como um todo. Veja 2:1-10; 2:13 a 3:1-5. A ‘nação’ a que se refere é à nação de sacerdotes. Esses sacerdotes roubavam os animais dados a Deus como dízimo (nada de referência a dinheiro, ainda apenas a alimentos, percebem?). Deus amaldiçoa os Levitas por roubarem a porção dízima em Neemias 13:5-10. Sendo assim, o ‘roubo’ que ocorre não é por o povo não dizimar seu salário, mas pelos sacerdotes fazerem uso indevido do dízimo.
5 – Neemias 10:37-39 é o texto que deve ser utilizado para se interpretar corretamente Malaquias 3:10. As pessoas foram ordenadas a trazer o dízimo, mas não ao templo, deveriam levar às cidades Levitas das imediações.
6 – As pessoas não levavam seus dízimos ao Templo. Levavam aos depósitos citados em Neemias 10. Apenas os sacerdotes levavam seus dízimos ao Templo. O que Malaquias 3:10 está querendo dizer é que os sacerdotes deveriam devolver aos depósitos os alimentos que foram entregues como dízimo que eles haviam roubado. Sim, eles roubavam os alimentos e Deus queria que eles devolvessem.
Para aqueles que costumam simplesmente se opor sem apresentar evidência ou qualquer argumento, minha proposta é que examinem Malaquias 3 e o situem dentro da Bíblia para poder utilizar esse texto como base para todo crente dar 10% de seu salário ao gazofilácio da igreja.
Jesus dizimava?
Certamente que não. Não há nenhuma só passagem na Bíblia que diga que o dízimo era para todas as pessoas de Israel. Os dízimos eram APENAS obrigação dos que viviam da terra, como agricultores e criadores de animais. Jesus era carpinteiro. Pedro pescador. Paulo fazedor de tendas. Nenhuma dessas profissões dizimavam, até mesmo porque O DÍZIMO NÃO ERA EM VALOR FINANCEIRO, mas em ALIMENTOS.
O Novo Testamento e o dízimo
O ensino sobre a contribuição financeira no Novo Testamento é o da voluntariedade. Ninguém, absolutamente ninguém no Novo Testamento presta alguma palavra de ordem ou de instrução para se dizimar. Você pode encontrar um, apenas um só exemplo de Cristão dizimando no NT?
A pobre viúva que deu tudo não dizimou, ela deu 100%. Os Cristãos da igreja em Jerusalém vendiam suas propriedades e davam TUDO o que tinham. Vemos ainda a instrução para que ‘cada um contribua conforme propôs em seu coração’. E, é importante salientar que as contribuições financeiras não eram para a instituição eclesiástica, era para os próprios crentes. Eles tinham tudo em comum. Se algum crente tinha muito dinheiro, ele contribuía com o irmão pobre conforme quisesse. A ‘lei’ de Cristo é que quem tem dá o tanto que quiser e que não tem, não dá, mas recebe. Que bom seria se as igrejas aprendessem isso! Assim deixaríamos de ver líderes que recebem mais de 6 salários, aluguel, gasolina, etc, enquanto há pobres que mal conseguem sobreviver em suas igrejas. A atitude Cristã seria esses líderes retirarem boa parte de seu salário e dar aos irmãos pobres da igreja.
Vejamos, por exemplo, Ananias e Safira. Eles deram mais do que o dízimo, deram 50% do que tinham, mas foram castigados por fazer aquilo apenas para se aparecer. Esse caso ilustra exatamente o posicionamento das finanças na Igreja do NT.
II Coríntios 9:7 traz o modelo das contribuições que os crentes devem seguir: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria”.
Sendo assim, se você quiser contribuir com 10%, amém. Mas faça isso por ser uma valor que você estipulou e não porque é uma lei que você tem que cumprir. Se quiser contribuir com 1%, amém. Com 90%? Amém. E a freqüência? Se quiser semanalmente, amém. Mensalmente, amém. Semestralmente? Amém!
O importante é que cada um contribua espontaneamente e conforme pode e quer. Não pode haver regras. Lei para os Cristãos? O que é isso! Jesus veio exatamente para eliminar a Lei, nos ensinando a viver voluntariamente porque Deus vê o interior e não as aparências.
Apenas para concluir, para quem pense em argumentar dizendo que o dízimo é anterior à lei, digo que utilizem o mesmo argumento também para o Sábado. Dizem que o dízimo não é algo da Lei, mas ele já existia antes da Lei, então é algo que não indica o cumprimento da Lei Mosaica em si. No entanto, se este argumento for verdadeiro, também deve-se guardar o sábado, afinal, a guarda do sábado também é anterior à lei.
Certamente que se não houvesse dízimo, os valores de arrecadação cairiam. No entanto, a espiritualidade cresceria. Imagine como seria bom se nossos amados pastores não recebessem mais 5 mil reais por mês e todas suas despesas pagas e, ao invés disso, usassem uma boa parcela desses valores como a Igreja no NT fazia, contribuindo entre os irmãos mais necessitados. Quem tem mais, ajuda quem tem menos. Isso sim seria Cristianismo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ter / Fazer tatuagem é pecado?

Antes de escrever este breve artigo, pesquisei na internet para ver as opiniões da 'galera' evangélica pentecostal por aí. Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que julgam pecado e até um pecado de morte espiritual ter tatuagem.
Para ser bem direto, já dou minha opinião: não, não é nenhum pecado, nem proibido e nem ilícito ter tatuagem (a não ser que você tatue algo pornográfico em sua testa, claro!).
Quando algum neo-puritano pentecostal vai citar sua base para proibir tatuagens, é citado quase que imediatamente Levítico 19:28:
"Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o Senhor”.
Agora, faça a pergunta para si: você fez ou pretende fazer alguma tatuagem em favor dos mortos? Eu ainda não vi ninguém. Deve haver alguém por aí, mas ainda não vi. O texto não está nem sequer falando de tatuagens. Fala-se de autoflagelo em favor dos mortos em rituais místicos onde o indivíduo se bate (dá golpes na carne) que deixam marcas. A imagem ao lado ilustra exatamente o que o texto bíblico está fazendo. Alguns Muçulmanos cometem o autoflagelo em homenagem a Hussein, um homem já morto e deixam marcas em seus corpos em homenagem a ele. É a isso que o texto se refere.
O interessante é notarmos a aparência de Jesus em seu retorno:
"E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores". Ap. 19:16
Interessante! Jesus retornará à terra e veremos escrito em sua coxa 'Rei dos reis e Senhor dos senhores'. Será que estará escrito com caneta bic, será uma tatuagem ou uma escarificação? Não sei, mas já é de de refletir sobre isso se você diz que marcar de qualquer forma o corpo é pecado.
E, apenas para concluir essa passagem do A.T. sobre marcar o corpo em favor dos mortos, é interessante como esses falsos puritanos citam esse versículo, mas jamais citam os outros versos que também dão ordens na mesma passagem. Então, vejamos o que as pessoas que dizem com base em Levíticos que tatuagem é pecado também não podem fazer:
  • vs 9 - Crentes que tem plantações não podem colher tudo, e se algo colhido cair ao chão, não pode-se pegar de volta. O mesmo se aplica à uva que cair ao chão.
  • vs 23 - Não se pode comer nada da plantação nos primeiros 3 anos.
  • vs 24 - Os frutos do 4º ano da plantação não podem ser comidos por você, tem de ser ofertados a Deus.
  • vs 26 - Carne mal passada é pecado. Cuidado com o sanguinho que fica nos miúdos do frango. É pecado.
  • 27 - Cortar o cabelo arredondando a costeleta é pecado.
  • 27 - Aparar as extremidades da barba é pecado (interessante é que essas igrejas mais pentecostais discriminam quem não faz a barba)
  • 30 - É para se guardar o sábado.


Agora minha pergunta a quem cita Levítico é: você está cumprindo corretamente isso? A instrução dada a nós, não Judeus, mas Cristãos é: "Porque, qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos" (Tiago 2:10).
Continuando: “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2).
E para completar: "Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão" (Gálatas 5).
Ora, o que conclui? Que qualquer crente que invente de proibir algo com base em leis do Antigo Testamento, deveria, então, guardar todas as outras leis. Por que, digam-me vocês que fazem isso, você pode escolher quais leis são e quais não são válidas? Passe a guardar todos os pontos da Lei hoje mesmo, vá fazer uma circuncisão, volte a sacrificar, apedreje os adúlteros... Vocês conseguem perceber a grande hipocrisia que há nisso tudo?
O fato é que não há qualquer mau nas tatuagens em si. Esse 'ódio' é sim derivado de hipocrisia, de má informação, de péssima tradição, de falta de conhecimento e de má compreensão da Graça e Liberdade que há em Cristo. É o apego ao exterior, às aparências.
Tatuagens não são pecado. O pecado está no que você pode ou não fazer com a sua tatuagem. Se você tatua algo no cóccix para andar com uma blusinha lá em cima e chamar a atenção à sua poupança gospel, então você está pecando por atitudes lascivas e não por ter tatuagem.
Não há absolutamente nada no Novo Testamento que o proíba de ter tatuagem. A única coisa que você deve ter é bom senso sobre o que tatuar e seu propósito. Exibicionismo e voyeurismo não é algo legal. Mas, tatuar algo para agradar seu marido ou sua esposa não há nada de errado. Tatue seu bumbum se quiser, mas desde que seja para mostrar para seu parceiro.
No mais, se alguém discorda, terei prazer em responder.
Por enquanto é isso e desejo que a mente de todos possa compreender o que significa ser Livre.
nEle, que virá com sua coxa escrita com 'Rei dos reis e Senhor dos senhores'.