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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Evangélicos, é?


Ser evangélico já significou muita coisa. Paralelamente, ser Cristão já foi sinônimo de ser canibal, visitante assíduo de catacumbas e, também, membro de sociedade secreta.
Basicamente, tal como o nome explicitamente diz, o evangélico é aquele que deve professar uma conduta de vida baseada no Evangelho. Embora linguisticamente seja isso que o termo queira dizer, certamente não é isso o que se vê na prática.
Hoje a legião pseudo-evangélica já soma 30 milhões de pessoas no Brasil. Até o dia do evangélico está sendo comemorado! Mas não por mim. Eu que cresci em contexto evangélico, nascido em 1985, só tenho visto deterioração atrás de deterioração. E vejam que são apenas 26 anos! Em tão pouco tempo, essa multidão foi a 30 milhões de pessoas, sendo que uns 25 milhões são pessoas toscas, usurpadores do Evangelho, ladrões travestidos de ‘ungido intocável’.
Ah sim, sei que escrevo para ouvir o ‘amém’ de uma minoria. Uma minoria que realmente é evangélica, que realmente segue e vive o evangelho. Já a maioria não conhece nada sobre Jesus.
Para essa maioria, Jesus é alguém que cura, que faz os pobres se tornarem ricos se eles forem ‘fiéis’ com substantivas quantidades financeiras, é um cara que não permite que você seja humilhado, ele o homem que vai te ‘honrar’ diante do inimigo. Para eles, Jesus é isso. É uma extensão física, uma projeção dos pecados e vontades humanas e pecadoras do homem.
O Jesus do Evangelho é outro. É o que diz que ao você ser humilhado, você deve dar o outro lado para ser um pouco mais humilhado. É o que diz que mesmo que você esteja doente, podre, caindo aos pedaços, você não deixa de servir ao seu Deus, afinal, você o adora por quem Ele é e não pelo que Ele faz por você. O Jesus que eu conheço é o que come com pecadores, que conversava na rua com prostitutas, que bebia, que quando acabava a bebida numa festa, tratava de fazer mais vinho para seus amigos se divertirem. Meu Jesus não era membro de denominação nenhuma, afinal, Igreja são todos aqueles que estão sob a Graça de Deus. Ele não pediu arrecadação para erguer templos, porque ensinou que não é num monte de pedra e cimento empilhados que Deus habita, mas sim nos corações dos homens, de modo que não é em templo nenhum que quem adora a Deus vai adorar, mas sim em seus corações porque os verdadeiros adoradores o adoram em espírito.
Esse jesus da maioria dos 30 milhões é um fraco, um coitado. É alguém que tem medo de sofrer, que foge das tribulações. Fé? Fé para os seguidores desse Jesus não é a crença no que você não vê, mas sim no que você vê, pega, guarda no bolso. Sim, a fé para eles é totalmente material, nada de fé.
O meu Jesus disse que sou bem-aventurado quando for perseguido. O deles diz que o capeta está se levantando contra você porque, provavelmente, você pecou. E imediatamente você precisa de uma campanha para não ser mais perseguido. O meu Jesus não diz isso. Diz que eu preciso aprender com essas adversidades, que preciso melhorar. Que preciso me auto-analisar e perceber se, também, por acaso, eu não tenho culpa por estar sendo perseguido. Ele me diz que sou bem-aventurado porque tal perseguição me faz crescer. O Jesus dos outros não. É um Jesus mimado que torna seus seguidores ainda mais mimados.
Resumindo: ser evangélico não é ser parte dessa massa podre que aí está, corrompendo mentes já corrompidas e dando veneno a mentes já envenenadas. Ser Evangélico é ser tal como Cristo era: simples, não ansioso e amoroso.

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